julho / 2010 |
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Projeção - cada vez mais - digital
Uma rápida verificação mostra já em diversos complexos de salas de exibição de cinema proporções cada vez maiores, ainda que em processo um tanto lento, de filmes projetados na forma digital.
Como já foi mencionado aqui, ao contrário de ser um pejorativo é uma qualidade, principalmente em nossa realidade onde em poucas situações encontra-se um projetor novo e bem regulado exibindo uma película também nova, onde riscos e sujeiras são praticamente imperceptíveis, acompanhada de excelente estabilidade da imagem dos sucessivos fotogramas.
Essa qualidade primorosa é equivalente, em digital, ao termo "4K" para películas de 35mm digitalizadas, quando torna-se imperceptível a qualidade maior de um ou de outro. Em nossa realidade projetores digitais capazes de atingir essa resolução ainda não são muitos, porém com bem menos do que isso mostram imagens muitas vezes melhores do que seus equivalentes mecânicos.
Isso ocorre quando películas são projetadas já gastas pelo uso - desgaste este que ocorre rapidamente, conforme o caso, em questão de poucas semanas ou até menos. Alguns jornais, periódicos e folhetos colocam entre parênteses, ao lado do nome do filme, a expressão "projeção digital". O que se imagina é que daqui a alguns anos eles passarão a escrever "projeção em película", para alertar os espectadores de que imperfeições poderão certamente serem vistas na tela.
Claro que aqui abre-se toda uma discussão, das pessoas comuns, leigas em técnicas de projeção, diga-se de passagem, a esmagadora maioria, que jamais percebem qualquer diferença, mesmo nos nossos sistemas atuais ainda limitados a resoluções como "1,3K" por exemplo. Ou dos amantes da nostalgia, entendidos em fotografia que incomodam-se em ver latitudes e colorimetrias diferentes do que estariam nos originais, também, diga-se de passagem, a esmagadora minoria - o outro lado da moeda.
Não haverá no entanto conflitos: cada qual terá seu nicho. Daqui a alguns anos vamos ter sempre um ou outro cinema especial com projetores mecânicos e vamos ter a quase totalidade em projeção digital, já com resolução aumentada, com suas inúmeras vantagens.
Nem tudo entretanto é perfeito: apesar de raras, projetores digitais também apresentam falhas quando operados erradamente, eles próprios ou os sistemas que os alimentam - onde o filme está armazenado. Essas falhas somam-se a numerosas reclamações hoje vistas em periódicos, relatando problemas como barulhos da sala vizinha por mau isolamento, som alto ou baixo demais ou inexistente (até que alguém reclame), problemas com descontos nos ingressos, luzes acesas indevidamente, ar excessivamente quente ou frio e principalmente, vale ressaltar, o desrespeito dos próprios espectadores (de conversas em celulares a sacos de pipoca amassados). Falta agora melhorar esse lado da projeção, o outro lado da tela...
Eduardo Baptista é o editor do site FazendoVídeo